quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mais um pterossauro

O Brasil já conta com uma verdadeira coleção de espécies de pterossauros, rica em quantidade e variedade. Paleontólogos identificaram mais uma espécie de réptil voador que viveu em nosso país.

O Tupuxuara deliradamus, de 4,5 metros de invergadura e de 100 milhões de anos de idade. Seu nome científico foi dado por causa do formato da fenestra nasorbital, localizadano crânio e que possui formato de diamante.

A característica mais marcante é a crista localizada no topo de sua cabeça e que segundo o paleontólogo Mark Witton servia apenas para indicar dimorfismo sexual. O que contrária a hipotese formulada pelo paleontólogo brasileiro Alexander Kellner, de que a crista serviria para resfriar o corpo do animal, tal qual o radiador de um carro.

Mas, Witton firma que os vestígios de vasos sanguíneos são muito superficiais e dessa forma não poderia exercer essa função. Argumenta ainda que em outros tupuxuaras, a crista só é encontrada desenvolvida em indivíduos adultos o que reforçaria a sua tese.

A descoberta causou rebuliço não só pelo conteúdo científico, mas também pelo fato do fóssil brasileiro ter sido estudado e descrito em uma universidade do exterior. A venda de fósseis é roibida por lei e existe suspeita de contrabando para o exterior.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Noticias da biologia

POR EDUARDO REAL

Nessa última década o número de descobertas e pesquisas surpreenderam pela quantidade e pela importância. Aqui no Evolução e Biologia divulgamos duas delas.

Aranha vegetariana

Cientistas descobriram no México uma espécie de aranha vegetariana. A Bagheera kiplingi que se alimenta das pontas das folhas de acácias e, ocasionalmente, devora larvas de formiga. Tornando-se o primeiro entre os 40 mil aracnídeos conhecidos que se alimenta de plantas.

Não se sabe qual o motivo da aranha devorar formigas. As possíveis hipóteses são a predação como fonte de alimento. Uma tentativa de eliminar as formigas que também se alimentam das mesmas pontas de folhas; (elas estabelecem uma relação de cooperação com a árvore se alimentando das folhas e eliminando outros insetos nocivos). Ou ainda, comeriam as lavas para adquirirem sua flora intestinal.

Diferente de outras aranhas, ela não precisa jogar suco gástrico em sua comida, usando suas quelíceras para se alimentar. Porém, precisando mastigar ante de engolir.

Novo pterossauro

Pesquisadores descobriram uma nova espécie de pterossauro. Descoberto na China, viveu a aproximadamente 220 milhões de anos atrás e foi batizado com o nome de Darwinopterus, em homenagem a Charles Darwin, cujo nascimento completa 200 anos em 2009.

O fóssil possui bico com dentes e um pescoço flexível. O achado é importante, pois até então se encontrava apenas repteis voadores com cauda longa e outros com cauda mais curta. O Darwinopterus é um meio temo entre os dois extremos, com uma cauda de comprimento médio., preenchendo a lacuna no registro fóssil. Suas mandíbulas longas serviam para caçar outros seres voadores.

A nova espécie é um transicional entre os pterossauros, misturando características novas com primitivas.



terça-feira, 13 de outubro de 2009

Raposa das Falklands

A raposa-das-Falklands ou Warrah (Dusicyon australis) era o único mamífero endêmico das Ilhas Malvinas (ou Falklands). Habitava as matas do arquipélago e media 90 centímetros de comprimento e pesava 30 kg. Com pelagem densa de cor amarelada e cauda cinzenta com a ponta branca. Por causa de seu tamanho também é chamado de lobo-das-Malvinas, apesar de ser uma uma raposa.

Seus hábitos alimentares são desconhecidos, como não haviam roedores nas ilhas é provável que se alimentava de ovos de pássaros como o pinguim e o ganso, larvas de insetos, filhotes de leão-marinho e animais mortos nas praias.

Sua presença em um arquipélago a 400 km da costa sul-americana sempre foi intrigante para os que a estudaram. Supunha-se que fora levada por colonos primitivos. Mas como não existiu nenhuma ocupação humana anterior à moderna. É provável que tenha migrado até o local durante a Era Glacial ou quando o nível do mar era menor.

Também não se conhece sua etologia, viviam em bandos alguns relatos afirmam que cavavam tocas, porém um traço de seu comportamento bem conhecido é sua falta de medo do homem.

Foi visto pela primeira vez em 1692, anos depois colonos vindos da Escócia se estabeleceram ali. E para proteger suas ovelhas, promoveram uma campanha de envenenamento. Sua docilidade fazia fazia do canídeo um alvo fácil para os caçadores. Em 1833, Charles Darwin visitou as Falklands a bordo do HMS Beagle e lhe deu o nome científico Canis antarticus, se espantou com seu comportamento amistoso e previu sua extinção. Darwin assim escreveu em "A Viagem do Beagle":

"O único quadrúpede nativo da ilha, é uma raposa grande como um lobo. Que é comum de Leste a Oeste das Malvinas...Esses lobos são bem conhecidos por Byron pela sua mansidão e curiosidade, que os marinheiros confundiram com ferocidade, correndo para o mar para evitá-los..."

"Dentro de poucos anos após estas ilhas serem regularmente habitadas, com toda a probabilidade essa raposa será classificada como o dodô, como um animal que desapareceu da face da Terra."

De fato, na data da visita do naturalista inglês, a espécie já era rara e seria declarada extinta em 1876. Tornando-se o único canídeo que desapareceu nos tempos modernos.



Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki

sábado, 3 de outubro de 2009

Peixe descoberto no litoral brasileiro

POR EDUARDO REAL

Os pesquisadores do projeto TAMAR tiveram uma surpresa ao achar um peixe desconhecido; fisgado em anzóis circulares que não oferecem risco para as tartarugas-marinhas e que estavam sendo testados.
Ele estava a 1000 metros de profundidade e foi filmado e capturado pelos técnicos que então analisaram esse peixe diferente. Não possuía escamas, tinha olhos pequenos e dentes diminutos. Sua carne possui uma grande quantidade de gordura, o que dá a ele uma consistência gelatinosa. O espécime pesava quarenta quilos e media um metro e oitenta e três.

Não existe registro da espécie na literatura científica, o que faz do encontro casual com o peixe algo especial. Calcula-se que existam cerca de 150 espécies de peixe ainda desconhecidas no litoral brasileiro. O exemplar capturado é de um peixe abissal, zona do mar ainda pouco estudada no Brasil. Vamos aguardar qual nome será dado ao nosso amigo.

sábado, 12 de setembro de 2009

Pato de cabeça rosa

O pato de cabeça rosa (Netta caryophyllacea) é uma espécie de ave anseriforme extinta, que vivia nas margens alagadas e pantanosas dos rios Ganges e Brahmaputra, na Índia e Bangladesh. A espécie foi descrita pela primeira vez em 1790.

O pato de cabeça rosa media 60 cm de comprimento e tinha asas com 25 cm em média. A sua principal caracteristica era a cabeça e parte posterior do pescoço em tons rosa claro, com uma risca mais escura sobre a testa. O resto da plumagem era castanha-chocolate, com as pontas das asas branco amarelado. A espécie apresentava dimorfismo sexual, tendo a fêmea plumagem mais escura e cabeça rosa claro esbranquiçado. Tinha olhos encarnados, patas altas e negras e pescoço e bico eram relativamente compridos e elegantes.

Tinha hábitos diurnos e passava a maior parte do tempo nadando em busca de alimento. A alimentação era onívora e baseava-se em moluscos, pequenos crustáceos e vegetação aquática. Embora preferisse a superfície, era capaz de realizar curtos mergulhos.
A época de reprodução era entre Abril e Maio. Os patos de cabeça rosa construiam ninhos circulares com quase dois metros de diâmetro, em zonas de vegetação densa perto da margem do rio. As posturas continham entre 5 a 10 ovos amarelados de formato esférico, com cerca de 4 centímetros de diâmetro.
O declínio dos patos de cabeça rosa começou no fim do século XIX e deve-se à intervenção humana. Apesar de não ser considerada uma especialidade gastronomica, a espécie era uma ave cinegética popular devido à sua aparência exótica e foi caçada em grande número pelos colonos britânicos estabelecidos na Índia e Bangladesh. O aumento da densidade populacional nas zonas do seu habitat impôs também pressão sob a espécie. Por volta de 1900 os patos de cabeça rosa eram já considerados raros. Um dos últimos avistamentos foi feito em 1925, mas no fim dos anos vinte foram caçados três pares vivos de patos de cabeça rosa, que foram levados para uma propriedade particular no Surrey, Reino Unido. Estes animais sobreviveram bem em cativeiro mas não se reproduziram. O último morreu em 1936.


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O perigo da Medicina Tradicional Chinesa

POR EDUARDO REAL

A medicina tradicional é predominante em países ocidentais e suas práticas são bem conhecidas pela população. Contudo, não são as únicas práticas de saúde. Existindo métodos conhecidos genéricamente como terapias alternativas. Entre elas está a medicina tradicional chinesa. Rara no Ocidente, porém comum no leste asiático.

Possuí diversos tipos de tratamentos, como a acupuntura. Porém, o texto focará medicamentos a base de produtos animais, oriundos da fitoterapia.

Sua origem é muito anterior a era cristã, surgindo por volta de 2200 anos a. c. E seu princípio de funcionamento está estritamente relacionado á filosofia presente no Taoismo e conceitos espirituais orientais. O indivíduo é visto como um sistema integrado entre a mente e o corpo que trabalha para para manter o funcionamento normal. Esse é o princípio do ying e yang e é o desequilíbrio entre eles que causaria as doenças e certos componentes ajudariam a reestabelecer o equilíbrio.

A MTC possui uma grande lista de ingredientes de origem animal. Um tigre, após morto, tem seu corpo desmontado em vários compostos aos quais são atribuídos as mais variadas funções: seu pênis embebido em álcool seria um potente afrodisíaco, seus ossos curariam artrite, seus bigodes seria trataria dor de dente, a fumaça de seus pêlos queimados afastariam centopéias e seu focinho pendurado sobre o leito matrimonial aumentaria as chances de ter um filho do sexo masculino. Chifres de rinoceronte curariam febres e convulsões. Chifre de veado também trataria artrite.

E por certos ingrediente serem retirados de espécie ameaçadas de extinção, os impactos dessa prática preocupam muito. De 2004 para cá a população de tigres na natureza caiu de 4600 para 2000 animais. Deixando o grande felino ainda mais próximo da extinção. O rinoceronte-indiano (Rhinoceros unicornis) também corre risco; com a procura por seus chifres o número de indivíduos encolheu. O já criticamente ameaçado rinoceronte-de-Sumatra (Dicerorhinus sumatrensis), que conta com apenas 300 indivíduos em liberdade, tem a pressão dos caçadores aumentada. As espécies africanas também não estão a salvo. E mais chocante, é o fato de não existirem evidências de que tais fármacos possuam qualquer efeito. Sendo a eficácia alegada, fruto de conceitos religiosos e místicos ou da mera simbologia entre as características do animal e supostos benefícios e não de um estudo científico controlado. E mesmo que fossem efetivos contra diversas doenças, existem diversos fármacos da medicina científica que possuem ação comprovada e que não tem por conseqüência tais impactos ambientais.

Outra amostra é vista nos mares; motivada pela sopa de barbatana de tubarão. Bem conhecida no Leste Asiático, e tida como um tônico contra uma série de males, considerada afrodisiaca por alguns. Também é um prato de elite, servido em banquetes e festas de casamento. Com o crescimento econômico asiático, a nascente classe média a consome cada vez mais, como um símblo de ostentação. Uma tigela de sopa custa cerca de 100 dólares.

Para conseguí-la, é realizada a pesca do tubarão, ou finning, em que o seláquio é capturado e tem as nadadeiras cortadas. Porém, a carcaça não possui valor econômico e é jogada ao mar, onde sem ter como se locomover o tubarão morre de fome ou é devorado por peixes menores. Não existe controle de peso e idade e analisando as barbatanas e quase impossível distinguir as espécies. As mais raras - como o tubarão-baleia - chegam a custar 10.000 a 20.000 dólares.


100 milhões de toneladas de tubarões são pescadas por ano. Mas estima-se que a quantidade possa ser mais que o dobro. O enorme consumo é sustentado por pescadores de todos os mares. Incluindo os da costa brasileira Nem reservas marinhas - como as Ilhas Cocos, onde existe a maior concentração de tubarão do planeta - são respeitados.

As populações de um predador que é vital para o ecossistema marinho estão encolhendo drásticamente, a ponto de serem considerados criticamente ameaçados.

O governo chinês já fez medidas para inibir a matança. Proibiu o comércio de remédios que contnham partes de tigres e pune quem caçar um deles com a pena de morte. Com isso, ossos, garras e outros órgãos sumiram das lojas medicinais chinesas. E fármacos que eram feitos de animais em risco estão sendo substituidos pelos que são feitos de animais domésticos. Outra opção , é criá-los para o aproveitamento farmaceutico. O que já é aplicado para a extração de bile-de-urso. Antes caçadores os procuravam antes do inverno, os capturavam e arrancavam a vesícula. As fazendas de urso se tornaram mais viáveis que a caça. Nelas, instalam um catéter, por onde a bile é tirada. Contudo, a IUCN denuncia diversos maus-tratos. Mesmo essas medidas apesar de terem seu mérito, mas são inda insuficients para conter a devastação causada. A Medicina Tradicional Chinesa mostra que a pseudociência e obscurantismo podem causar danos não apenas ao homem, mas também para o meio ambiente.

REFERENCIAS:

http://en.wikipedia.org/

http://pt.wikipedia.org/

http://news.nationalgeographic.com/

http://news.bbc.co.uk/

http://edition.cnn.com/

http://skepticblog.org/2008/11/09/tcm-ii/

http://saude.hsw.uol.com.br/medicina-chinesa.htm

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Fóssil revela "asa inteligente" de pterossauro

REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S.Paulo

Os engenheiros aeronáuticos do século 21 talvez possam aprender alguns truques com répteis alados de 130 milhões de anos. Uma pesquisa apresentada ontem por uma equipe internacional, incluindo uma dupla de brasileiros, sugere que camadas especializadas de fibras nas asas dos bichos permitiam ajustes sutis dos movimentos deles no ar --uma espécie de "voo inteligente" em pleno período Cretáceo.

A conclusão vem da nova análise de um fóssil maravilhosamente bem preservado, o pterossauro chinês Jeholopterus ningchengensis, cujas asas mediam cerca de 90 cm de uma ponta à outra. Por um golpe de sorte pré-histórico, não apenas os ossos, mas também boa parte dos tecidos moles do bicho sobreviveram ao tempo.

Entre esses tecidos estão as asas membranosas, parecidas com as de morcegos e típicas de todos os pterossauros.

Fly by wire

A semelhança com os atuais mamíferos voadores, no entanto, é apenas superficial. Para o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), os pterossauros provavelmente punham seus sucessores no chinelo.

"A membrana dos morcegos é menos espessa e muito mais simples que a dos pterossauros", disse Kellner à Folha. "Claramente o voo desses animais era bem mais sofisticado do que a gente imaginava."

Kellner e seus colegas, como o também brasileiro Diógenes de Almeida Campos e paleontólogos da China e da Alemanha, publicaram sua análise do fóssil na edição desta semana da revista científica britânica "Proceedings of the Royal Society B". Com a ajuda de luz ultravioleta, os pesquisadores conseguiram ver detalhes milimétricos da membrana das asas, que dão apoio à hipótese de que ela sofria modificações sutis para se ajustar às necessidades de voo do animal

O sinal mais claro disso são três camadas diferentes de pequenas fibras, as chamadas actinofibrilas, dispostas em orientações diferentes (na vertical ou na horizontal, o que, no fóssil, dá a impressão de um tabuleiro de xadrez, porque as camadas foram "amassadas" pelos processos geológicos).

"Nós só vamos poder confirmar o que eram essas fibras com uma análise da estrutura microscópica delas. Acredito que eram fibras musculares. De qualquer maneira, elas obrigatoriamente influenciavam a estrutura da asa e são condizentes com a ideia de que o animal era capaz de ajeitá-la durante o voo", afirma Kellner.

Comprimindo ou distendendo as fibras entre si, o bicho poderia, por exemplo, modificar ativamente a resistência de sua membrana ao ar, tornando-a mais ou menos rígida. Para Kellner, o achado confirma que os pterossauros não eram meros planadores, mas voadores ativos e sofisticados.

Nem pelado nem peludo

A nova análise do fóssil também pode acabar com uma velha dúvida: afinal, os pterossauros tinham pelos? A ideia de uma cobertura pilosa parece esquisitice pura em se tratando de um réptil, mas alguns fósseis bem preservados já tinham indicado essa possibilidade.

Kellner e seus colegas, ao examinar estruturas vagamente parecidas com pelos no corpo do bicho, dizem ter determinado que elas não se parecem exatamente nem com as penas das aves nem com os pelos dos mamíferos. No entanto, podem ter tido uma função similar: conservar o calor do corpo.

"Nós preferimos chamar esses supostos pelos de picnofibras, ou seja, fibras densas. Ao toque, talvez elas fossem parecidas com uma vassoura de piaçava, mais duras e eriçadas", compara Kellner. É possível que pterossauros de diferentes regiões tivessem mais ou menos picnofibras, dependendo do clima de cada lugar.

Fonte
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u605803.shtml